Campos do Jordão x Gramado

Em diversos bate-papos pelo mundo da hotelaria, muitas pessoas têm comparado o município paulista de Campos do Jordão com Gramado, no Rio Grande do Sul. Para aqueles que já estiveram nas duas cidades, a comparação é inevitável: por que Campos do Jordão não decola como Gramado?

Uns afirmam que Gramado é mais bonita, o que de certa forma é verdade, pois o centro comercial desta é maior e mais centralizado, um verdadeiro shopping a céu aberto. Todas as ruas, não apenas o bairro de Capivari em Campos, são muito charmosas. Outros dizem que Campos é privilegiada por estar próxima a capital do estado e de outras cidades do interior e merece estar melhor ranqueada. Quando entramos em Campos do Jordão, o acesso é pelo lado mais feinho, sem graça. Depois, lá na frente, chegando em Capivari o aspecto muda de figura e a lembrança de Gramado vem em nossa mente.

O fator mais importante do município gaúcho é que lá a população, os hoteleiros, empresários e comerciantes, não necessariamente nessa ordem, chegaram a conclusão que o turismo é a melhor fonte de renda para a cidade. Com isso, todos se uniram e começaram a trabalhar em prol do destino e não apenas do umbigo de cada um.

Já em Campos, o objetivo é diferente, mas infelizmente muito comum: cada um por si e nenhum por todos. A prefeitura parece não conseguir convencer os moradores locais e apenas o Festival é que lota a cidade a partir de junho até o começo de agosto. No resto do ano, com exceção do Natal, Réveillon e dos finais de semana, o destino não vê a cara dos turistas.

Como mencionei algumas linhas acima, as pessoas se preocupam apenas com elas mesmos. São poucas as que pensam no macro, preferindo permanecer apenas no micromundo. É preciso sempre levar em conta quem é o maior beneficiado e tentar participar do bolo e não desejar tudo para um só. Se a comunidade de Campos resolver se unir, todos irão ganhar.

Tem uma fórmula que é bem simples: (união + visão) - ganância = desenvolvimento.

Enquanto isso, em São Paulo, a maioria dos vereadores municipais votaram contra a portaria baixada pelo prefeito que possibilta a regulamentação de quase 120 flats, que representa quase a metade da hospedagem paulista. Se a portaria não for confirmada, a cidade vai perder muito, mas muito mesmo. A preferência dos 34 vereadores põe em risco a continuidade de operação dos empreendimentos, gerando desemprego e impossibilitando a cidade em continuar sendo o destino número um da América Latina na realização de grandes eventos como a Fórmula 1. Por que será que esses políticos votaram contra? O que eles ganham com isso e o que eles sabem de turismo? Fui com votos de muita saúde, consciência e bom senso!

Hotéis multiestrelados?

A classificação estelar dos hotéis foi criada no final dos anos 30 nos Estados Unidos pela consultoria Professional Travel Guide que anunciou recentemente a criação, em meados de 2009, do sistema para identificar e oficializar hotéis de categoria seis estrelas. Isso é muito bom para o mercado hoteleiro mundial. Toda progressão mercadológica alavanca o setor positivamente. Um verdadeiro up. Como a crista da onda, levanta a espuma até o topo. Dá para comparar com a mesma sensação que temos quando ficamos dentro do mar exatamente no momento em que ela inicia o movimento avassalador repleto de energia e espuma.

As universidades na Suíça são consideradas as melhores do planeta e desde o século passado formam profissionais que estão espalhados pelos cinco continentes. Geralmente, as redes internacionais buscam os estudantes que se destacam e que cursam o último ano para contratá-los como trainees e que acabam sendo contratados após o processo.

Os futuros hotéis six star podem ter sido projetados pelos melhores arquitetos, ter também os melhores amenities do planeta, as maiores piscinas e as festas de inauguração que consumam milhões de notas verdinhas (ou azuis). Podem também estar localizados nos destinos mais exclusivos e contar com as maiores suítes, melhor gastronomia, enfim estarem aptos para num outro futuro ser o espelho dos empreendimentos sete estrelas.

O que não irá mudar nunca é o atendimento, o requinte em servir um bebida em um ambiente propício ao luxo, a sutileza de aparecer e limpar seus óculos de sol enquanto você está na piscina. Sorrir, olhar e não dizer nada mas poder passar ao hóspede que a mensagem foi entendida.

O Brasil pode pensar em prover algumas das melhores universidades do planeta. Alguns dizem que falta classe, mas as melhores lojas de luxo estão aqui na capital paulista e em quantidade maior que outras cidades primeiromundistas. O Rio de Janeiro, principalmente no eixo Ipanema-Leblon está ficando cada vez melhor, assim como Salvador que está recebendo investimentos significativos de hotéis de charme. Não temos a frieza prateada dos europeus e nem a arrogância de outros povos. Sabemos sorrir, receber, somos simpáticos por natureza. Tá certo que rola uma malandragem, mas me diga quem e o que é perfeito?

Investir na mão-de-obra é ter certeza de sucesso, remunerar bem, motivar, qualificar e motivar! Avante nobre hoteleiro! Minha vontade é poder entrar em um hotel e dizer: esse aqui tem 10…20…30…60…120… estrelas! Uma para colaborador!

Enquanto isso em São Paulo, os proprietários, operadores, investidores e hóspedes dos flats paulistanos estão mais tranqüilos: foi baixada a portaria de regulamentação para os empreendimentos que entraram em operação antes de 3 fevereiro de 2005. Com isso, há garantia para a cidade continuar sendo o maior destino realizador de eventos da América Latina. Como diz o eterno príncipe da hotelaria, o querido Rafael Jafet: viva! Mesmo com o excelente trabalho da São Paulo Turismo e do São Paulo Convention & Visitors Bureau, ainda falta uma maior divulgação dos atrativos turísticos para trazer cada vez mais turistas. Boa semana cheia de paz e saúde!

De ladinho

Nesta semana fui ao Festival do Turismo de Gramado. A cidade está cada vez melhor. Limpa, organizada, os cidadãos educados, atendimento excelente. Enfim, o município conscientizou-se que vive quase 100% do Turismo e é por isso que trabalha para agradar os turistas que chegam o ano inteiro.

Repito 1: o melhor negócio do mundo é o Turismo. Traz divisas, aprimora a infra-estrutura das cidades, desenvolve a cultura e a educação de todos, movimenta a economia, além do fator mais importante: o segmento propicia a felicidade, o bem-estar, a alegria, o divertimento e a amizade.

Repito 2: o país deve se concentrar em desenvolver todas os destinos com potencial turístico, tranformando-os em Gramados, Floripas, Antoninas, Bonitos, Águas de Lindóia, Búzios, Itaúnas, Morros de São Paulo, Itacarés e muitos outros que se fossem merecidamente citados formariam em extensa lista de tirar o fôlego.

Repito 3: o Ministério do Turismo deve, precisa e merece ter um executivo que conheça e acumule em sua bagagem profissional muitos anos de experiência. Alguém que durante seu discurso não repita dez vezes as mesmas palavras…

Bom nobre leitor, você deve estar se perguntando o que o tíulo “De ladinho” deste post tem a ver com tudo isso. Explico. Viajo desde os 12 anos em vários tipos de aviões. Ultimamente, os aeroplanos de algumas companhias brasileiras, para poderem transportar mais passageiros deixam um espaço mínimo para as pernas. Ou seja, mais espaço para fileiras de assentos e menos para pessoas de alta estatura. Tento sempre pedir para me acomodarem nas fileiras centrais onde ficam as saídas de emergência, o que nem sempre é possível. Às vezes as atendentes não sabem exatamente onde elas ficam, devido ao tipo da aeronave e se confundem.

Nesta última viagem, sentei numa das poltronas do corredor, o que foi a minha sorte. Logo que o avião decolou o passageiro (muito egoísta) reclinou o seu assento, não me possibilitando nem ao menos posicionar o note book para trabalhar um pouco. Joelhos travados e sem espaço, a solução foi erguer o braço da poltrona e me sentar de lado com as pernas para o corredor. Ainda bem que a viagem foi curta.

Lembro quando o Nelson Jobim assumiu o Mini-estéril da Defesa. Bravejou sobre essa questão da distância ridícula entre os assentos. Disse que criaria uma norma para regularizar a situação, bláblábli e blábláblá. Nada foi feito e nem imagino o que tenha acontecido para que a ação fosse deixada de lado. Alguém sabe? Bom, vamos para mais uma semana de trabalho. O Natal se aproxima e talvez milagres aconteçam. Fui nessa!

Somos apenas grãos de areia

Estive lendo alguns textos científicos sobre o nosso planeta que indagam qual é a verdadeira importância que temos sobre a ótica inversa da nossa existência. Ou seja, o que é mais importante? O universo infinito ou um pequeno planeta azul? Pensando de forma macra e comparando a raça humana com a grandiosidade do universo, o que somos? De onde viemos, para onde vamos? Qual é a razão de estarmos aqui? Crise existencialista ou vontade de saber algo mais? Desejo ir a fundo e não ser apenas o sêr que acorda-levanta-trabalha-come-consome-bebe-dorme e cria o mundinho em sua volta. Lembra do filme The Wall?

Como seres maravilhosos que somos, temos a capacidade de parar, analisar e tomar decisões que nos façam avançar para caminhos além da freqüencia AM, sair da faixa da qual a maioria da população vive, discutindo a vida alheia, comentando situações de baixo nível que não agregam nada e ao contrário, acabam se tornando viciantes e enlamaçadas, como se fosse o próprio umbral.

Atitudes simples e positivas que começam dentro de nós mesmos e que não têm nada ver com outros marinheiros que estão, como todos nós, no mesmo barco. São poucos os seres que saem de manhã com o coração feliz e radiante e que automaticamente transforma nossa face em rostos cujos olhos sorriem apenas por estarem naquele momento felizes sem nenhuma razão específica, sem qualquer motivo. Você já vivenciou esse sentimento? A fórmula é bem simples: acorde, sorria e viva! Viva a vida da qual você pode obter novos conhecimentos, novas amizades. Olhe no olho das pessoas e sorria espiritualmente, você vai notar a diferença. E não faça nada esperando algo de volta. A espontaneidade é a essência pura e a mais volorizada. 

Parece difícil, porque às vezes, não temos vontade de olhar na cara de ninguém e muito menos iniciar uma conversa. Mas, quem disse que você precisar fazer isso? Começe apenas estampando um leve sorriso em seu rosto, essa descontração muscular é para você mesmo, é para o seu bem-estar! Esqueça seus problemas e anseios pessoais. Todos temos dificuldades e as fases vêm e vão, os problemas são apenas percalços que ajudam nosso amadurecimento. Um exemplo do nosso segmento, e de outros também, é que quantos mais problemas temos, mais experientes ficamos e mais valor no mercado de trabalho passamos a ter.

Por isso, amigo leitor, experimente, a partir de amanhã, acordar feliz e ter em seu pensamento que o dia será glorioso, novos conhecimentos serão adquiridos. Você é um imã, então, para atrair apenas energias positivas, seja positivo! A vida é bela, basta analisar pela ótica certa. Por isso, digo que apenas dois sentimentos são a base de tudo: o amor e o conhecimento! Com eles, todos os caminhos estarão abertos e a tua passagem garantida. Fui, com desejos de excelentes momentos para todos nesta semana que se inicia!

A japonesa e a italiana

Sempre tive queda por uma italiana - até casei com uma e inclusive tenho ascendência. Numa determinada época da minha vida, fui apaixonado também pela japonesa (e continuo sendo). Até afirmei para os amigos que na próxima encadernação gostaria de ser publicado na Terra do Sol Nascente. Com isso, fico muito feliz em morar aqui em São Paulo, cidade com aspectos e atrações únicos do continente sul-americano incluindo opções da gastronomia mundial. Hoje, vou escrever sobre dois restaurantes, um japonês que nunca tinha ido e outro, um italiano, que considero ser um dos melhores da cidade.

Bom, na sexta-feira meu filho Gianluca e eu fomos curtir uma japonesa. Uma amiga da minha filha indicou o restaurante que vi nascer há dez anos na rua Nebraska 326, há três quadras de casa, mas nunca tive vontade em conhecer - indicação é o melhor marketing. Fomos à pé sob a fina garoa que caía do céu nublado e sem estrelas. Lembro que o Dairin abriu com poucas mesas. Hoje, o salão foi ampliado para a lateral e ao andar de cima.

Depois de analisar o cardápio, resolvemos experimentar o Festival de Sushi (35R$ nos finais de semana). Rolinho primavera de legumes e guioza de peixe foram as entradas que assinalaram para nós o sinal verde com uma boa expectativa. O temaki de atum veio caprichado e de bom tamanho, ou seja, grande. Dispensamos o missô e o peixe (anchova ou salmão) grelhado - a fome não era tanta, mas nos deliciamos com o combinado que incluía algumas criações exclusivas e muito boas. Resumindo: está aprovado e ganhou mais uma família-cliente.

E no sábado, fomos ao antigo Lellis da Peixoto Gomide, que mudou de nome para Trattoria Peixoto Gomide (não tem site). Sempre preferi este Lellis do que a da Alameda Campinas. É muito mais aconchegante e autêntico. O ambiente como o maitrê e o cliente saídos da Família Soprano, deu um toque especial cinematográfico. O buffet de antepastos (58R$ o quilo) já foi uma viagem. Lulas, mariscos e camarões, além do presunto de parma e outros ingredientes nobres. Nada de exageros, mas tudo do bom!

Estávamos em quatro e escolhemos dois pratos: Panzerotti à moda do chef com molho primavera e Ravioli de ricota alla napolitana. O primeiro tinha um molho apurado muito saboroso que nos fez lambuzar os dedos passando pão italiano no resto do molho. Excelente. O Ravioli também foi aprovado pelos filhos. Leve e saboroso disse a filha Giulia.

Bom, vou assar uns alhos e um joelho-de-porco na brasa antes da corrida de hoje e esperar com ansiedade a definição do campeonato deste ano. Depois, se valer a pena, comento!

Ser feliz é ser saudável

Já tem muito tempo que acredito que a maioria das doenças existentes nos seres humanos, menos aquelas que são diagnosticadas por vírus e bactérias, são provocadas por nós mesmos. Esse argumento não é só meu, vários povos, tribos, religiões e ideologias também aceditam na hipótese. Sempre acreditei também no poder das energias, em seus funcionamentos e na maneira como interferem em nossas vidas.

Para aqueles que duvidam das energias, dou o exemplo do amor. Quando sentimos o amor verdadeiro por outra pessoa e quando pensamos nela, a experiência que temos é um calor no coração aliado a sensação de paz e felicidade. Isso é uma energia. E quando abraçamos alguém com vontade e sentimento? Dá pra sentir aquela sensação boa, certo?

Bom, se até aqui você está de acordo, e com base na lei do equilíbrio, se existe o lado bom, há obviamente o mau. E aliado aos sentimentos ruins, existem sensações como medo, angústia, egóismo, inveja, raiva, ódio, mágoa e ciúmes. Podemos afirmar que todas são negativas. Quando sentimos um desses sentimentos, qual é a sensação? Um misto de enjôo com adrenalina, algo que se vamos muito a fundo parece ser até incontrolável.

Podemos tentar imaginar como será o acúmulo dos sentimentos negativos. Para faciltar, vamos utilizar cores. Todos gostam do céu quando está azul e sem nuvens. A cor azul pode representar o positivo. De um outro lado, ninguém gosta de sujeira, vamos exemplificar então com a cor da água dos rios Tietê ou Pinheiros. Cinza escuro.

Agora imagine alguém que por alguns anos concentra diariamente pensamentos negativos, como a angústia, raiva e mágoa. Pense que esses sentimentos ficam armazenados dentro do nosso corpo em forma de energia. Todos aprendemos nas aulas de física que muita concentração de um determinado tipo de energia resulta em uma explosão. É assim que a doença grave começa. Com a explosão de muitas partículas de energia negativa nos corpos dos seres humanos.

Por isso, nobre leitor, concentre sempre energias boas em seus pensamentos. Não guarde raiva de ninguém, emane sempre sentimentos bons. Se estiver angustiado, procure ajuda, ponha pra fora, desabafe. Perdôe sempre. Não guarde mágoas, resolva as questões que te incomodam. Fale aquilo que precisa ser falado. E lembre-se, os males sempre vêm para o bem. No final tudo sempre dá certo, se não deu ainda, é porque o final não chegou. Boa semana com muita alegria e paz no seu coração!

O poder dos hotéis

No domingo passado viajei para o Mantra Resort Spa e Casino, por isso não consegui atualizar o blog. Na quarta-feira (22), a matéria do hotel uruguaio entra no ar. Sorry pela ausência!

Nesta semana, algumas redes divulgaram resultados de suas ações filantrópicas. No Brasil, a marca Ibis realizou o Café da Manhã Solidário, arrecadando 75 mil reais. Já, na esfera global, o Preferred Hotels Group, conseguiu reunir 61 dos seus hotéis associados, durante quatro meses, para destinar uma percentagem de sua receita - US$ 40 mil - para distribuição em comunidades de 18 países, por meio de seu programa The Giving Room.

John Ueberroth, CEO da Preferred, comentou que “a ação demonstra claramente que a hospitalidade vai muito além do que um simples meio de hospedagem, mas se estende a impactar positivamente a sociedade”.

Concordo 100% com ele e digo mais: todos os meios de hospedagem possuem uma grande força que é poder mobilizar a sociedade em seu entorno, apenas algumas quadras em sua volta, promovendo o desenvolvimento sustentável das cidades onde estão situados, como uma onda. Várias ações podem ser realizadas como reuniões das associações de bairros, palestras para os moradores com temas progressistas, apresentação de produtos para melhorar o dia-a-dia dos vizinhos, receber o lixo reciclável da rua, organizar jantares beneficentes, criar programas para os moradores de rua e muito mais.

As palavras de Ueberroth servem para alertar os gerentes gerais dos hotéis, que devem criar cômites dentro de suas unidades para alavancar ações que promovam o bem-estar da sociedade e seu desenvolvimento sustentável. Em breve, estaremos iniciando uma campanha para unir os empreendimentos hoteleiros. Aguardem! Bom, fui para o Rio de Janeiro, pois nesta semana acontece a Feira das Américas! Boa semana, cheia de saúde e bons negócios!

A dissociação da sociedade

Sempre me emociono com a música Imagine do saudoso John Lennon. Tomei a liberdade de colar abaixo a tradução da canção escrita com a provável inspiração divina do eterno beatle:

Imagine que não existe paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno sob nós
Acima apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje

Imagine não existir países
Não é difícil em ter
Nada pelo que lutar ou morrer
E nenhuma religião também

Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz

Talvez você diga que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só

Imagine não existir posses
Surpreenderia-me se você conseguisse
Sem necessidades e fome
Uma irmandade humana

Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo

Talvez você diga que eu sou um sonhador
Mas não sou o único
Desejo que um dia você se junte a nós
E o mundo, então, será como um só

Linda a letra. Acredito que no íntimo de cada um de nós, mesmo que em alguns casos seja no subconsciente, desejamos que isso aconteça. Que seja possível vivermos em harmonia plena. Mas então por que escolhi esse título pessimista? Infelizmente e, mesmo que eu imagine que um dia um caminhe pelas ruas distribuindo e recebendo sorrisos, cada vez mais eu vejo uma sociedade egoísta e sem o mínimo de solidariedade. Obviamente estou generalizando. Existe muita gente boa por aí que ajuda sem querer nada em troca. Que vive sorrindo e agradecendo todo dia pela oportunidade em estar apreendendo constantemente. Mas, o exemplo que tenho é o egoísmo apresentado no intenso trânsito da cidade, onde são poucos que dão passagem e quando você reclama de uma fechada fazendo soar a buzina, mecanicamente o motorista, seja homem ou mulher, levanta a mão com o dedo anular em riste. Não seria mais óbvio levantar a mão pedindo desculpas? E quando entramos no elevador e falamos bom dia e ninguém responde, mesmo que só estejam lá eu e apenas mais um?

Outro dia, já deitados para dormir, o caçula de seis anos me disse: “pai como foi bom ter conhecido você!”. Por quê?, perguntei. “Ah, se eu não tivesse te conhecido, eu não teria aqueles gibis da Turma da Mônica que você comprou pra mim lá no Rio de Janeiro!”, Na lata, eu devolvi pra ele: filho, o que mais importa nas nossas vidas é o amor, a amizade e o conhecimento, a sabedoria. O resto é passageiro e não resiste ao tempo. Ele pensou um pouco e consentiu: “É verdade pai, eu te amo muito e você é meu amigão!” Dormimos que nem anjos nessa noite.

Vou sair para votar com a esperança que os governantes também caiam em si e começem a trabalhar com verdadeiras ações de uma sociedade, ou seja, proporcionando o desenvolvimento, a educação e o exemplo do qual realmente precisamos ter. Boa semana, com muita saúde e paz!

Cariocas x Paulistanos

Maria Heloísa Medeiros, de 42 anos, carioca da gema e moradora do Alto Leblon, trabalha no centro do Rio, em frente ao Teatro Municipal. Para chegar lá, são três as opções de Helô: dirigir seu carro; ir de carona com um amigo ou descer a pé ou de bicicleta até a Ataulfo de Paiva, pegar um ônibus e depois o metrô. Qual a escolha que ela faz? A terceira. “Prefiro me exercitar, ver pessoas e não me estressar no trânsito, além de economizar combustível e colaborar para a diminuição do aquecimento global. No caminho, posso ler um livro ou conversar com outro cidadão”, explica Helô.

A cerca de 400 km dali, em São Paulo, Carolina Silva Melo, 40, mora na Granja Julieta, na zona Sul. Ela trabalha na Lapa, quase a mesma distância que a Helô do seu local de trabalho. As opções de locomoção da paulistana são quase iguais: pode ir de carro; pedalar 2 km até a estação de trem, fazer baldeação em Osasco e descer na Lapa, ou tomar um ônibus. A decisão dela é ir de carro. Enfrentar a Marginal Pinheiros terrivelmente congestionada com o ar condicionado do seu veículo ligado, pois a poluição gerada pelos caminhões não permite deixar o vidro aberto. “Não gosto de ir de trem ou ônibus. Estão sempre lotados e alguns corredores não andam. Prefiro manter o meu conforto”, diz Carol.

No final de semana, a variação das duas brasileiras também é notória. Enquanto que a Helô desce para curtir a praia do Leblon, onde almoça e depois segue direto para o butequim da esquina onde encontra seus amigos, e, no domingo, fica em casa e pela tarde sai para um passeio ou um cineminha. Já, a Carol, no sábado de manhã vai ao cabelereiro. Depois, almoça no shopping com as amigas, faz uma comprinha e dependendo do ânimo, ou do filme em cartaz, pipoqueia na sala escura. Aos domingos, curte um almoço familiar e a noite sai com amigos.

Moral da história? Alguma das duas personagens está errada? Com qual delas você se identifica? Aspectos culturais influenciam os seus modos de vida? Pense e se quiser comente.

Enquanto isso, em Cingapura, a escuderia-vermelinha-milionária-que-não-tem-mais-o-que-inventar melou (de novo) a corrida do Massa. A ferrari (com “f” minúsculo mesmo) mostrou ao mundo que tecnologia demais não serve pra nada. Sua traquitana para avisar o piloto que pode sair do box naufragou a esperança do brasileiro ultrapassar o Hamilton no campeonato. O antigo “pirulito” abolido voltou na mesma corrida quando Kimi, o finlandês, pitstopeou. A estréia do circuito noturno foi reprovada pela maioria dos pilotos. A razão da queixa alheia são as ondulações da pista que chegaram a machucar alguns pilotos. Too bad Mr. Ecclestone!! Fui com desejos de uma excelente semana para todos!

O descaso com os estudantes

Participamos da maior feira de suprimentos para a hotelaria da América Latina, a Nova Equipotel, evento que parte, em 2009, para a sua 47ª edição. Passaram pelo Anhembi, durante os quatro dias de exposição quase 50 mil pessoas - índice excelente para uma feira segmentada - que tentaram visitar cerca de 1300 estandes. Digo tentaram porque é impossível conhecer todas as novidades em oito horas, período que a feira está aberta. É preciso de pelo menos dois dias.

Conversei com alguns expositores, visitantes e estudantes que neste ano, segundo a organização da feira, chegaram ao número de cinco mil, índice 30% superior ao ano passado. Muitos deles reclamaram do descaso dos expositores, que por sua vez também reclamaram da visita dos futuros profissionais. “Eles vêm e pedem folhetos e informações, não adquirem nada e atrapalham os clientes”, disse um dos expositores. ”Nós queremos conhecer as novidades e a única maneira é colher o máximo possível de material para que possamos analisar depois com calma. Infelizmente muitos expositores nem nos atendem. Quando percebem que estamos chegando, disfarçadamente vão para o outro lado do estande. Quando pedimos informações eles nos desprezam”, me contou uma estudante.

Uma das sugestões é criar um dia apenas para a classe estudantil, mas acredito que nenhum expositor viria abrir seu estande. “Investimos muito para ter uma área aqui na Nova Equipotel e não podemos perder tempo. Temos que vender o máximo possível”, explica um dos vendedores. Outra idéia é uma parceria com as universidades no sentido que os estandes com uma metragem mínima tenham a obrigatoriedade em ter um estagiário para atender os estudantes. Ou ainda, ter visitas monitoradas para os universitários. Alguma solução precisa ser encontrada.

Enquanto isso, ontem no Paquistão, um atendado terrorista matou cerca de 50 hóspedes e feriu outros 200 no Marriott de Islamabad. Uma covardia, como qualquer ataque desse nível. Um verdadeiro ato contra a paz que é a característica principal do Turismo mundial. Fui, com tristeza, mas com esperança que um dia a humanidade irá entender que o verdadeiro petróleo é o amor e a fraternidade. Boa semana!

Companhia Errônea do Trânsito

C.E.T está mais para Companhia Errônea do Trânsito e não Companhia de Engenharia de Tráfego como intitula-se. De engenharia não tem nada. Semáforos desincronizados e em quantidade exagerada - existem avenidas que tem um em cada esquina. Marronzinhos escondidos, multando ao invés de orientar. Corredores de ônibus, que deveriam permitir aos cidadãos chegar rapidamente aos seus destinos, congestionados e com filas quilométricas. Avenidas largas suficientemente sem faixas especiais para motoboys. Não há estudos nem pesquisas. A companhia é uma fábrica de multas e os milionários recursos obtidos por meio das infrações seguem para a federação e não voltam ao CET. E o IPVA? Para que serve? E os 48% de impostos recolhidos quando compramos um carro zero? Vão pra onde?

Enquanto isso, o governo estuda a possibilidade em esticar o prazo do financiamento de carros para 120 meses… Milhões de veículos novos circulando pelas cidades e uma única pergunta: até quando iremos suportar isso? Fui.

Ensinar para crescer

Existem muitos executivos que ensinam verdadeiramente os profissionais que estão sob sua coordenação. Não conduzem apenas o trabalho, mas mostram qual é a verdadeira ciência, linha de pensamento e alguns segredos para o sucesso. Já, do outro lado de uma possível mesa diretiva, um outro tipo de executivo centraliza tudo sob seu comando. Não expande seus pensamentos, suas ações e trabalha praticamente sozinho, mesmo que esteja situado nas três primeiras filas do organograma da empresa em que trabalha e tenha abaixo de si um número x de colaboradores.

Nas gestões em que participei sempre procurei conduzir o trabalho numa administração sem pirâmide, e preferencialmente horizontal e no máximo na forma egípcia invertida, ou seja, colocando na mesma linha ou no topo os colaboradores das áreas diretamente ligadas ao cliente. E mais ainda, fazer com que o negócio não dependesse da minha presença. Sempre tive meus braços direitos e esquerdos por dentro do negócio e com autonomia nas tomadas de decisões. E essas ações não impediam de que eu estivesse por fora dos procedimentos ou que não soubesse o que estava acontecendo, ao contrário todos, incluindo o cômite executivo estavam sempre por dentro de tudo.

Acredito na filosofia em ter sempre um backup pensante. Esse procedimento nos permite ter mais chance no crescimento profissional. Fica mais fácil para a presidência e diretoria tomarem a decisão na promoção do executivo. Enquanto que o gerente centralizador e não compartilhador faz todo o ciclo de produção depender dele e, mesmo que seja promovido ou em uma hipótese pior, tenha que se afastar por qualquer motivo, a tal linha de produção poderá ser prejudicada, ou seja, sair da padronização.

Os executivos que não ensinam geralmente são inseguros e têm medo de serem ultrapassados na curva. O segredo de tudo é ensinar e não ficar parado, aprender mais e estar sempre um passo à frente dos outros. Alguns acham que fazer um MBA ou uma pós é o ideal e outros tiram períodos sabáticos para viajar e se aprimorar em outras praias. Todas as formas são válidas pois o mais importante é estar aprendendo constantemente. Fui com desejos de uma boa semana para todos!

Hotel 3D

Sexta-feira assistimos a película U2 3D e a saudade bateu - em 2006 fomos ver os dois shows da banda irlandesa no estádio do Morumbi. Muito legal o filme, se não fosse a atmosfera do cinema, às vezes tínhamos a impressão de estar realmente no show. Antes do filme começar passou um trailer de uma animação também em 3D e outro filme em cartaz nos cinemas nacionais, A viagem ao centro da terra, também utiliza essa tecnologia que nos anos 70 tentou emplacar. Com a chegada dos DVDs, da internet e principalmente das grandes TVs de plasma/LCD, além dos fabulosos home-theaters, ir ao cinema hoje em dia não tem tanta graça assim. Podemos ficar confortavelmente instalados em sofás e não ter a necessidade de enfrentar filas e congestionamentos em subsolos shoppingnianos, além de termos um custo de mais de 50 reais (por casal) para ingressos e pipoca.

Os índices de audiência nos cinemas caíram muito nas últimas décadas. Nem as tentativas em deixar as poltronas mais confortáveis, oferecer sacos gigantes de pipoca com direito à refil conseguiram trazer mais espectadores. É óbvio que os índices são comparados com o crescimento da população das cidades, por isso as existentes filas não significam a audiência expectada pelos produtores. Com isso, os filmes 3D são a nova esperança em tentar atrair mais público. Na minha opinião, essa tecnologia logo estará nas nossas casas também. Na Conotel do ano passado e na edição de 2008, a Hoffmann - uma das maiores empresas de áudio e vídeo do Brasil - apresentou um TV LCD 3D em seu estande.

A pergunta é a seguinte: o que os produtores vão inventar para atrair mais público? E qual a relação com a hotelaria, pois afinal de contas, o título deste post é Hotel 3D, certo?

Desde os primórdios da hotelaria, amenidades têm sido implantadas constantemente. Se voltarmos 100 anos atrás e analisarmos um dos primeiros hotéis cinco estrelas da América do Sul, o Plaza Buenos Aires, atualmente operado pela Marriott na capital argentina, o que se oferecia a mais naquela época para atrair os hóspedes? Banheiro, telefone e ar condicionado nos apartamentos, itens que atualmente são tão comuns que não podemos imaginar um hotel sem essas facilidades. Com o passar dos anos, o que mais foi desenvolvido para o conforto do hóspede? TV, pantufas, chocolatinho de boa noite, acesso à internet, spas… E o que mais? É muito pouco para 100 anos, não?

Na abertura da Conotel deste ano, um dos temas foi A hotelaria do futuro, em razão da comemoração dos 50 anos do evento hoteleiro. Projetou-se então como será a hotelaria daqui a mais 50 anos, ou seja em 2058. O que se apresentou, em uma produção estrelada por um ator global, foi um recepcionista holográfico, um apartamento que abrirá a porta com uma leitura da íris do hóspede, um aparelho do tamanho de um i-phone controlará todo tipo de equipamento existente na UH, que poderá ainda ter as cores das paredes trocadas ou até mostrar paisagens de todo o tipo, e mais:  o cardápio do room-service poderá ser visualizado em uma tela de plasma e a escolha do prato será feita apenas com um toque. OK, legal. Tudo tecnologicamente correto. Mas é só isso?

A hotelaria deve ser vista pelos profissionais do setor como uma forma de apresentar toda essa inovação antes dela estar nas prateleiras das lojas. A hotelaria deveria ser como a Fórmula 1, que desenvolve a tecnologia antes de chegar aos nossos veículos. Parcerias com empresas do setor de informática, áudio, vídeo e etc poderiam ser o grande motivo em atrair mais hóspedes. Investir, criar, desenvolver novas idéias e mandar para o espaço aquele chocolatinho de boa noite. Algumas redes internacionais mantêm em suas sedes (nos States) verdadeiros laboratórios para criar novidades e aperfeiçoar as amenidades existentes. Aqui no Brasil, tem hotel que possui tecnologia de ponta, mas que não é utilizada porque não se sabe utilizar o software de CRM. A hotelaria brasileira anda que nem gente grande, como é o caso de alguns hotéis paulistanos (estou pensando em apenas dois) e na maioria engatinha como bêbe. Um dia (será) que a gente chega lá? Desejo uma semana de excelente criatividade para todos! Vamos crescer?

Criar, é preciso!

Minha paixão pelos Beatles me levou até a loja Blackbird localizada na avenida Paulista. Isso me faz lembrar das minhas andanças pelos sebos e pelas feiras da praça Benedito Calixto e do Bexiga. Aos sábados, pela manhã, eu ía atrás dos LPs dos quatro cabeludos de Liverpool para montar a minha coleção brasileira, que está quase completa - faltam dois LPs e um compacto. Não tive coragem em colecionar as edições inglesas, já que cada um dos albuns lançados na época custa hoje entre 250 500 doletas. Há casos, como o LP norte-americano Yesterday and Today que chega a valer mais de US$ 2 mil. Mas, isso é outra história.

Já são mais de cinco anos que conheço o proprietário da Blackbird, Vladimir Dantas. Atualmente nos vemos quase diariamente, pois sua loja fica a poucos passos do escritório do Hôtelier News. Às vezes até almoçamos juntos. Na sexta-feira fiz uma visitinha e conversamos bastante. Enquanto o som dos Fleet Foxes rolava nas caixas - a banda é muito boa, nova e de Seattle - conversávamos sobre os planos de Vladimir sobre a Blackbird. Ele me dizia que suas vendas acontecem muito mais pela internet ou pelo telefone. “Se eu colocar na ponta do lápis, a loja me dá prejuízo. Tem dia que não vale a pena abrir, pois todas as vendas são feitas online ou por telefone”, explica. “O único dia que vale a pena vir é o sábado. A loja virou point e sempre está cheia. Além do que, uma vez por mês, uma banda vem tocar Beatles. Por isso penso em achar um espaço para atender somente aos sábados”.

Sugeri a ele então que busque uma sala em um dos hotéis da região pois geralmente aos sábados a ocupação do departamento de eventos é tranqüila. Além disso, existe segurança e infra-estrutura de alimentos & bebidas para atender seus clientes. “Poxa legal, acho que vou fazer isso mesmo!”, disse.

Eu, se tivesse um hotel, convidava o Vladimir para montar sua loja lá. Até fiquei viajando e pensando num espaço que reunisse um café transado, bar, loja de livros e de música. Poderia ter até uma área para exposições e aí sim, estaria criado em point cultural que atrairia com certeza hóspedes e vizinhos. Os hotéis podem criar atrações novas, mudar um pouco, sair do arroz-e-feijão, inovar e vender mais! Será que é tão difícil? Será que todos estão engessados, travados ou perdidos? Vamos lá gente! Nós brasileiros somos muito criativos. Vamos virar a mesa e inovar nossa hotelaria!!! Desejo uma boa semana cheia de idéias! Fui!

Hotelaria e os navios. Parte 2

Entre 2006 e 2007, vários hoteleiros incluindo suas entidades representativas fizeram vários manifestos contra os navios de companhias que realizam cruzeiros pela costa brasileira. Foi uma grande chiadeira que afirmava a injustiça das embarcações pelo fato de não pagarem impostos e não gerarem nenhum insumo nas economias dos destinos atracados. OK, uns tinham razão em certos aspectos e outros também não deixavam em ter as suas.

Durante a última edição do Congresso Nacional de Hotelaria (Conotel), realizado na semana passada no Rio de Janeiro, um dos assuntos mais discutidos foi a candidatura da cidade para os jogos olímpicos de 2016. Um dos problemas apontados pela Comissão Olímpica Internacional (Coi) é a falta de leitos da cidade. Construir mais meios de hospedagem para o evento é assinar o atestado de estupidez, pois o Rio - leia-se Barra da Tijuca, pois é onde ainda há espaço - não possui um índice de ocupação que permite sonhar com um esse desenvolvimento. Uma das sugestões da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), organizadora do Conotel, é trazer navios e transformá-los em hotéis flutuantes, devidamente ancorados nos cais outrora guinleanas.

Muitos congressistas e participantes deram risada e alguns relembraram o velho provérbio, “quem cospe para cima acaba sendo atingido pelo próprio cuspe!”. Eu não vejo dessa forma. Tudo bem, a gestão era outra e às vezes falamos o que não queremos. Eu sempre procuro analisar os dois lados, pensar com a cabeça dos envolvidos e chegar a um acordo que satisfaça a ambos. Se o Rio vai sediar as olimpíadas, tudo bem, mas desconheço na história um país que tenha sediado um Copa e dois anos depois ter organizado uma Olímpiada. Minha intuição diz que Chicago ou Tóquio serão um dos ganhadores. Nada contra o Rio, ao contrário, adoro a cidade e já escrevi que ainda vou morar nela, mas visualizo que talvez nos jogos de 2020 ou 2024 estaremos mais preparados. O negócio é se concentrar na Copa, fazer um excelente trabalho, limpar as cidades, melhorar seus entornos e colocar em nosso portfólio uma perfeita organização de um evento que sem dúvida é muito mais economicamente vantajoso para todos. E, a final do torneio obviamente tem que ser no novo Maracanã! Boa semana!

Hotéis-paraíso

Sim, estou criando uma nova categoria hoteleira: a dos hotéis-paraíso pois nesta semana tive a oportunidade em conhecer um deles. O Brasil tem um dos litorais mais bonitos do planeta. Encrustrado em uma das inúmeras e beles praias de Santa Catarina fica o Ponta dos Ganchos Exclusive Resort. O empreendimento faz parte da cultuada associação Relais & Chateaux (junto com mais dois hotéis no país - Fazenda Rosa dos Ventos e Estrela d’Água), e já ganhou menções em revistas especializadas como a Condé Nast.

Situado no alto de um morro e numa área de 80 mil m², o Ponta dos Ganchos tem apenas 20 bangalôs, o menor deles tem 80 m² e o maior 180. Nos hospedamos em um dos bangalôs da Villa com 130 m² e projetado para apenas um casal assim como os demais. Mini-piscina e banheira de hidromassagem com vista para o mar, sauna, TV LCD, DVD e lareira são algumas das amenidades na habitação. Já a infra-estrutura do resort oferece praia e ilha particular e um lounge fantástico a céu aberto, além de um restaurante com alta gastronomia.

Existem outros vários hotéis-paraísos em terras brasileiras e muitos outros virão. Estar em um deles é um privilégio para poucos. Torço para que você leitor possa conhecer algum deles na sua próxima viagem. Se você estiver programando uma viagem para a região Sul, com certeza a estada no Ponta dos Ganchos vai ficar na sua memória. Quando estiver dentro da piscina olhando o mar e tomando champagne, lembre-se de me mandar uma energia! Boa e feliz semana!

Tudo parece certo, mas…

Às vezes fazemos tudo certo, planejamos todas as ações meticulosamente e parece que tudo caminha para a vitória. Mas, aí faltando poucos metros para o final da etapa, algo sai errado. O lugar no pódium estava garantido, a vantagem no campeonato certa e aí, tudo fica na estaca zero. Temos que recomeçar tudo. Foi exatamente isso que aconteceu hoje na corrida da Hungria da Fórmula 1. O Massa fez tudo direitinho. Largou em terceiro e na primeira curva já estava na frente, deixando o Hamilton pra trás. Nas 67 voltas, ele foi perfeito e faltando três para acabar a corrida, o motor quebra. 

Como podemos comparar essa experiência esportiva com a de nossas vidas profissionais? Não desistir nunca? Planejar com eficácia e ainda contar com a sorte? Se conformar e dizer que os acontecimentos fazem parte do destino?

A vida profissional é uma eterna luta para nos mantermos em uma colocação que pensamos merecer estar. E quanto mais perto do pódium imaginário chegamos, melhor queremos fazer. Os índices, também imaginários, de nossa perfeição são a cenoura que mantém-nos na corrida. O que importa mais? A busca da perfeição infinita ou dos momentos de relaxamento mental de uma ação ou etapa realizada?

Cada um de nós terá uma resposta diferente. Alguns buscam a realização profissional porque amam o que fazem, outros colocam a parte financeira na ponta e se realizam com altos salários ou por estarem dirigindo um automóvel zero quilômetro. Alguns preferem trabalhar dentro da sua ética e ficam satisfeitos com isso. Cada ser humano tem a sua própria filosofia de vida e o seu tempo certo. Respeito pela felicidade de cada um. Isso devemos ter sempre. Assim a vida fica mais fácil de se levar. Boa semana para vocês! Com muita saúde e realizações! 

L’Atelier Michel Darqué

Fomos conhecer o ateliêr do chef Michel Darqué no bairro paulistano de Pinheiros. Ainda não havia o encontrado pessoalmente, mesmo tendo trabalhado nos mesmos - mas em épocas diferentes - hotéis da cidade. Darqué nos passou aquela velha impressão de já nos conhecermos há bastante tempo. Simpático, falante e sem frescuras e com uma mão impecável para a gastronomia, o chef é nascido na França e está no Brasil há 28 anos e é casado com a brasileira Marlene, que o ajuda na administração do restaurante.

A experiência de Darqué inclui os hotéis Maksoud Plaza, Renaissance, Unique Garden e WTC Hotel, este na época que era administrado pela Sol Meliá.

No térreo do sobrado que abriga o L’Atelier ficam a saleta de espera e a grande cozinha. No pavimento superior, dois salões, o maior tem umas dez mesas e, o menor, cerca de cinco. A decoração é neutra e as cadeiras são confortáveis. A sugestão do chef foi o menu degustação - particularmente gosto muito dessa opção, pois o jantar vira um ritual artístico. Perfeito!

O couvert com pães quentinhos feitos por Michel inspirou nosso apetite e depois de quase três horas de bom bate-papo, o sorriso em nossas faces demonstrava o êxtase alcançado. Achou que eu iria detalhar o que comemos? Nananinanão… A vossa curiosidade os guiará até a porta do restaurante!!! E, com certeza valerá à pena!

Mas, olha, o chef tem uma mesa (para seis pessoas) dentro da cozinha, onde ele prepara e serve as suas delícias. É preciso reservar pois a procura é grande! Quem sabe não nos encontramos por lá? Boa semana e bon appétit!

Plantar é contagiante

Na quarta-feira passada (9) comemoramos o aniversário de cinco anos do Hôtelier News. Resolvemos, a Solange e eu, realizar um plantio de árvores. Achei que cinco árvores seria pouco e pensei que o número 60 caíria bem. Uma para cada mês de atividades. Conseguimos reunir cinco patrocinadores para a ação e passamos a coordenação ao Instituto Plant+Ar que conseguiu o parque que eu vislumbrei, o do Povo, onde ficava o circo-escola picadeiro.

No horário marcado os convidados começaram a chegar e começamos o plantio com um pequeno discurso. A primeira árvore fiz questão de plantar e convidei o Camilo Torre para me ajudar. Depois, os outros patrocinadores também puseram as mãos na massa. A idéia era plantar simbolicamente cinco mudas, mas fomos adiante e no final plantamos quase uma dúzia - as outras foram plantadas durante a manhã em outras áreas do parque.

Ver a alegria das pessoas plantando foi muito legal. Todos estavam felizes. Deveríamos fazer isso mais vezes, por que não todo mês? O contato com a natureza nos fortalece com uma energia plena que nos enche de ânimo e alegria. Acredito que todo ser vivo tem dentro si guardado lá no fundo d’alma um link com a natureza. É como fosse uma chavezinha que ao ser acionada não desliga mais. Quero plantar mais! Ainda bem que temos um plantio que será feito pelo Plant+Ar em breve. Serão 250 árvores. Quem quiser mais informações é só me escrever e para ver algumas fotos é só procurar pela comunidade do Plant+Ar no Orkut. E aí, vamos plantar? Boa semana!

O Acontecimento

Sexta fomos ao cinema - a vez anterior foi no segundo semestre de 2007 para assistir Across the Universe. Vimos o mais recente do diretor indiano M.Night Shyamalan, The Happening ou se prefirerem a tradução brasileira, Fim dos tempos.

Últimamente, a crítica e o público não têm gostado muito das películas dele. No Sexto sentido (1999), foi brilhante e aclamado por todos, depois em Corpo fechado (2000), também recebeu elogios, com Sinais (2002), continuou no podium. No A Vila (2004) muitos torceram o nariz, no Dama na água (2006), ninguém falou nada e agora neste, já tem gente que não gostou. Concordo que o título brasileiro (Fim dos tempos) cria uma expectativa que não existiria se fosse O Acontecimento. Os espectadores vão esperando ver o fim de alguma coisa e isso realmente não acontece. Não há um ‘fim’ nessa película, apenas a narração de um acontecimento. Um aviso. Uma ficção talvez até verossímil se analisarmos a fundo. É isso que gosto nos filmes de Shyamalan. Seus roteiros nos fazem pensar e e analisar atentamente todos os detalhes, que muitas vezes passam desapercebidos, além de ter na maioria das vezes uma mensagem construtiva e positiva.

Conheço muitas pessoas que adoram filmes de terror, sem roteiro e moral, com apenas cenas de sustos nonsense. Gosto de suspenses… E esse filme prende a atenção do começo ao fim. Infelizmente não posso entrar em mais detalhes pois poderão existir leitores que ainda não o assitiram. Posso apenas mencionar que, se forem assistir prestem atenção nos detalhes dos acontecimentos em si e a forma como as pessoas reagem. Tudo tem a ver com o que a maioria dos seres humanos está fazedo com o ambiente terreno. E todas essas ações podem nos levar, aí sim, ao final dos tempos.

Há algum meses atrás o Gustavo Hamam me presenteou com um documentário colombiano - O Olho de Hórus - sobre a cultura egípcia. Interessantíssimo, inclusive revelando segredos e os porques da construção das pirâmides. Num dos capítulos, mencionava-se que a terra passa regularmente por ajustes no seu eixo. Se não me engano, a cada 12 mil anos. Algo normal e puramente físico. O problema é que devido às ações humanas no âmbito do desenvolvimento industrial, leia-se poluição, principalmente na última metade do século passado, esse período pode ser antecipado. Jornais argentinos mencionaram na semana passada que a previsão para o derretimento das calotas polares é de até seis anos (2014). O degelo já está causando problemas climáticos em todo o globo. Há quanto tempo estamos com temperaturas baixas em São Paulo, principalmente na madrugada? Precisamos fazer algo, urgente!… Boa semana! E se puder, plante e cuide de uma ou mais árvores. Para quem não sabe como, clique no link do Projeto Plant+Ar aí do lado. Eles são especialistas no assunto e poderão ajudá-los.

Music is the best

Desculpem leitores pela ausência no último final de semana. Viagens e compromissos me desconcentraram na logística.

Outro dia o Vinícius Medeiros sugeriu que eu escrevesse sobre os Beatles ao invés de falar sobre política. OK, vou falar um pouco de música. Não é dos Fab4 que escreverei, mas de um sujeito que já vive em outra esfera e que nos deixou um legado de composições fantásticas. Suas canções não tocam muito nas rádios. O que a Kiss FM veicula às vezes é a Bobby Brown  e só. Ele já foi aclamado como o maior compositor do século XX e um dos maiores gênios da música de todos os tempos. Suas obras englobam todos os gêneros, do pop ao blues, do rock ao reggae, do rap à música clássica. Seus arranjos são espetaculares e a riqueza de sons inigualável.

Fumante inveterado, “para mim o cigarro é comida” dizia nas entrevistas, mas um avesso às drogas não oficiais. Em suas turnês, não se via nenhum tipo de consumo ilícito e os ensaios duravam entre 8 ou 10 horas.

Entendo que as letras de suas canções foram a maior causa da falta de mais admiradores. Pornografia, sadismo e outros ingredientes constatam que os gênios sempre têm algo de errado, sé é que podemos dizer isso, pois no caso de Frank Zappa não há como estar errado. O que vinha na sua mente se transformava em música. O mais engraçado é que Bobby Brown é uma das suas mais tocadas nas rádios nacionais e uma das mais pedidas. Deve ser porque a maioria dos brasileiros não entende o que as letras dizem e a música possui um ritmo, um gingado todo brazuca.

Saudades do Zappa e das idas à serrinha no Chevette do Denis escutando Joe’s Garage. Bons tempos arquivados nos nossos HDs. Viva Zappa! 

Tudo, menos isso!

Um amigo resolveu sair do hotel que trabalhava como diretor. “Não gostei do novo gerente geral que assumiu recentemente”, disse. “O cara não tem visão mercadológica e ainda por cima é um grosso!”. Aproveitei e perguntei: o que pesou mais na tua decisão?  Na lata ele respondeu: “o fato dele ser grosso. Tudo,  menos isso!”

É gente, incompetência as pessoas até aturam. mas grosserias não. Agora, fico pensando no caso deste gerente geral. Ele é grosso, porque não tem visão ou não tem visão porque é grosso? O que, como, quando (e será que) ele pensa? Como foi a vida desse e de outros cidadãos que acham que serem grossos e portadores de chicotes cabresteais podem podem fazer seus colaboradores (funcionários, associados, etc) exercerem suas funções com dignididade, alegria e felicidade? Como ele pode exigir que eles tratem os hóspedes com simpatia?

Conheço um gerente geral que foi mandado embora por ser muito grosso. O RH recebeu tantas queixas que acharam melhor dispensá-lo para melhorar o clima no hotel. Pois é, reclamem! Ninguém é obrigado a trabalhar nessas condições. Reclamem e botem pra fora porque o gerente geral é apenas o líder do empreendimento. Não é ele que abre a porta do carro que trás o hóspede e nem que faz o check in. Não é ele que limpa o quarto e que leva o pedido do room service. Sua maior obrigação é dar o exemplo e cuidar (muito bem) de seus colaboradores para que estes atendam seus hóspedes com alegria. Se o seu gerente geral (ou superior) é grosso, peça ao RH para que tome providências. Vou nessa! Abraços e boa semana!

Cadê o RH?

Uma das coisas que mais gosto de fazer é encontrar os amigos. Seja num almoço, café, numa pizza ou mesmo até no telefone, afinal estamos nos encontrando nas linhas e fibras óticas, ou não? Outro dia, num desses encontros, o meu grande amigo-que-não-vou-dizer-o-nome-prá-não-complicar-a-vida-dele ou deveria-dizer-para-lhe-fazer-um-favor desabafou: “somos meio que obrigados a fazer plantão no final de semana. Até tudo bem, mas agora a direção do hotel veio com um memorando dizendo que a partir desta semana podemos usar o restaurante do hotel apenas uma vez ao dia e que se quisermos levar a família temos que pagar pela hospedagem e alimentação!”. Pasmei. A comida caiu da minha boca, meus olhos ficaram vidrados, minha pressão subiu…! Truta-que-pariu! Será que alguns meios de hospedagem que não visam a hospitalidade têm um departamento de Recursos Humanos? Cadê o RH, gente? Ou eles vivem na época do DP? 

Como é que os colaboradores desses hotéis poderão sorrir e atender os hóspedes com simpatia? Como que eles vão acordar e ter vontade de ir trabalhar? E o RevPar? Com certeza vai cair. E aí, quem vão culpar? Quais cabeças irão rolar? Qual ponta da corda vai se romper?

Minha sugestão é que essas empresas contratem imediatamente uma consultoria de RH, de hotelaria ou talvez uma mãe-de-santo para ir benzer a diretoria que com certeza deve estar impregnada com fluídos maléficos da idade média. E você leitor, que pode ser um dos gerentes de plantão deste final de semana, ligue pra mim. Vou ouvir suas lamentações e tentar te ajudar! Fui!

O formato precisa mudar

Continuamos a ir às feiras e outros eventos do setor de turismo. Aviestur, Abav, Braztoa, Festival de Turismo de Gramado, Encatho, EBS, DBS… E é inacreditável como, mesmo com o advento da internet, algumas pessoas continuam indo com malas de rodinha para encher com folhetos que são distribuídos pelos expositores. Cito a internet porque tudo que você imaginar está lá. Inclusive folders de hotéis que podem ser “baixados” e impressos de acordo com a necessidade. Aliás, chega de gastar papel à toa. Imprimem-se toneladas que são inutilizadas nos lixões metropolitanos.

Chego a conclusão que o formato dessa feiras precisa mudar. Os expositores querem é fechar negócios, conhecer novos clientes e pelo menos tentar recuperar os investimentos gastos nos estandes. Conversei com o Antonio Dias, diretor executivo da The Royal Palm Hotéis. Na Abav, sua rede desembolsa cerca de R$ 100 mil no estande. “Não há retorno durante a feira desse investimento. A maioria dos visitantes vêm atrás de brindes”, lamenta. ”Infelizmente precisamos estar nas feiras. Temos que reforçar nossas marcas”, lamenta mais ainda.

As entidades ligadas ao setor de eventos deveriam pelo organizar o cronograma das feiras. Novembro é o mês das loucuras. Eventos no Sudeste, Sul e Mercosul atordoam as agendas de todos. Será que poderemos um dia ver a razão vencer os anseios e interesses pessoais? Será que um dia vamos ser racionais e nacionais? Vou nessa… Bom domingo e excelente semana!

Põe um especialista!

Já está mais do que provado que o Turismo é um grande negócio. Argentina, Espanha, França, México e tantos outros países já perceberam que os recursos provenientes desse segmento são bons prá caraca. O governo atual criou pela primeira vez assim que assumiu o poder um ministério exclusivo. O primeiro a ocupar um cargo, o Mares Guia, fez um trabalho que foi elogiado. Depois de sua saída, a Marta Suplicy foi a indicada e continuou seu legado. Em breve, ela também deixará de ser ministra para concorrer a eleição municipal de São Paulo.

Pois bem. Chegou a hora do governo contratar um especialista na área. Alguém que seja turismólogo de formação ou de vivência. Aquele que conduza o negócio e consiga quebrar as barreiras político-econômicas de vez. Que libere verbas sem pensar em outros assuntos posteriores. Converse com o trade de verdade. Não estou escrevendo aqui que os dois ministros não fizeram isso, porém é preciso fazer mais.

Vamos pra frente Brasil. Unam-se governantes do Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, da Bahia, do Ceará, Distrito Federal, Goiás, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, de Minas Gerais, do Pará, da Paraiba, do Paraná, de Pernambuco, do Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, de Rondônia, Rorâima, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins! Vocês podem fazer esse país ser o maior do turismo mundial. Todo o trade torce por isso, bem como os cidadãos, pois além de tudo, o turismo não é um simples negócio, é o negócio do bem-estar, da paz, do bem viver! E ainda melhora todas as condições de vida. Viva! E boa semana!

Cadê a tábua?

Há alguns dias fui com meu amigo Ari Giorgi tomar uns choppes num hotel da região dos jardins. O empreendimento fica muito bem localizado e já tem vários anos de estrada. Ficamos obviamente no bar e depois da primeira rodada, resolvemos pedir algo para comer. Enquanto o garçom nos olhava com cara de não-sei-sugerir-nem-vender-só-sei-servir , optamos por meia tábua de frios com meia de queijos. “Podemos pedir meia tábua de cada?” Sim, disse o solícito atendente.

Passados poucos minutos, ele chegou com nosso pedido: um prato fundo, cubos com dois tipos de queijo e outros tantos quadradinhos de apresuntado. Isso mesmo. Fiquei imaginando como seria a tábua inteira de cada uma das opções. Das duas, uma. Ou a tábua não tem saída, ou não sabem como preparar, ou não tinham outros ingredientes, mesmo sendo uma quarta-feira. Ou será que o chef não gosta de frios e queijos? Qual será a desculpa? Será que ele é oriental e não conhece presunto? Já sei! Existem dois chefs, um que trabalha pela manhã e coordena a fatiação das iguarias para o café da manhã e outro que trabalha à noite e não põe a mão nos frios. Um conhece e o outro não. Acho melhor voltar lá e tentar descobrir. Vou me hospedar secretamente e pedir uma tábua de frios. Vamos ver como ela será. Será que a tábua virá?

Fiz uma busca de tábua de frios no Google e confiram o que encontrei. Exemplos não faltam. O que falta é interesse em melhorar e se aprimorar. Detalhe é tudo. Vou nessa! Boa semana! 

Dinheiro da carteira dos outros…

A municipalidade de São Paulo está renovando as calçadas de alguns bairros da cidade. A ação, dizem, faz parte do Cidade Limpa, projeto do prefeito. Até aí, tudo bem, melhorias devem ser feitas pois os cidadãos pagam o IPTU e têm o direito de andar com segurança mas, infelizmente, como quase tudo aqui se faz sem planejamento, não é apenas a água da chuva que vai para a sarjeta mas nosso dinheiro também.

No ano passado, a mesma municipalidade executou uma obra na avenida Padre Antônio José dos Santos aqui no nosso bairro do Brooklin Novo. Quebraram as esquinas das calçadas para adequá-las na lei de acessibilidade, rebaixando as guias e implantando placas no chão para pessoas com necessidades especiais. A maioria das guias também foi trocada. Até aí tudo OK.

Porém, neste ano começaram a quebrar todas as calçadas novamente. Um novo padrão de calçamento foi criado e não perdoou nada. Nem quem havia gastado centenas de Reais como foi o caso de uma loja que havia feito um piso muito bonito com placas de concreto e, tampouco, a própria adequação no quesito acessibilidade. Calçadas em perfeito estado foram quebradas para dar lugar a um projeto, que na minha opinião, não vai durar nada. Se ao menos houvesse um padrão também, ok, mas quem caminhar pela via, verá muito serviço indigno de aprovação.

Achávamos também que iriam respeitar a regulamentação em respeito a forma que os veículos estacionam nas calçadas, fazendo com que idosos e crianças tenham que desviar pela rua, correndo riscos de vida. Alguns pontos comerciais deram um jeitinho para deixar como as coisas estavam num bom bate-papo com o pessoal da obra. E outros que possuem espaço suficiente para oferecer estacionamento tiveram seus espaços bloqueados!

Desperdício para uns, lucro para outros, afinal estamos em ano eleitoreiro e as campanhas precisam de “doações”… Ah… não esquecendo em mencionar as novas calçadas da avenida Paulista. Ficou lisinho e feinho. Sem sal, sem graça e sem personalidade. Buá buá, vou nessa pra Gramado, lá quase tudo é bunitinho e não tem boneco joão-bobo! 

Embrulhagens

Meu filho de cinco anos está naquela fase dos brinquedinhos do NhacDonalds. Só vai lá para ganhar as bobagenzinhas, mas pelo menos não desperdiça a comidinha. Come (quase) tudo e eu acabo também comendo alguma coisa afinal ninguém é de ferro e muitas vezes comemos apenas por inércia - ainda consigo sair dessa algum dia!

Na hora de ir embora, geralmente eu que vou jogar fora os restos. Toda vez penso a mesma coisa. Pra que tanta embalagem? O sanduíche vem na caixinha. A batatinha vem no copinho. A salada na travessa de plástico, o suco no copo descartável. O sundae, idem. A tortinha na embalagem de papelão. Ufa! Cada consumidor mactrouxiano produz em média quase um saquinho plástico (aqueles de supermercado) de lixo não compactado por refeição. É muito lixo! Se você já foi lá na loja do Ronald, já deve ter percebido isso ou talvez não afinal algumas coisas são importantes para alguns e nem tanto para outros.

Eu não me importaria em receber os sandubas e as outras coisas em embalagens mais simples. Poderiam até baratear um pouco os preços e ajudar nosso querido planetinha (me deu saudades do Tom!) a se livrar do lixo excessivo.

A maioria da população terráquea adora embalagens. Principalmente as crianças, que são atraídas pelas cores e bocas, sorrisos e palhaçadas. Aí crescem acostumadas pelo lixo do luxo insano. Aquele que apenas dá aparência e não experiência. Boa semana!

Ô Clides!!!

Sabemos que o Dia das Mães é um dos melhores momentos do comércio de varejo no Brasil. Temos o conhecimento, alguns mais, outros menos, que os dias temáticos são uma forma de homenagear sexos, profissionais, parentes, mães, avós, pais e etcetera. E não estou aqui escrevendo neste domingo materno contra esse padrão.  Já disse outrora vezes que é injusto pensar na mãe ou na mulher apenas em um único dia. 

Agora, que os cabelinhos brancos estão mais aparentes e o nosso timing mudou. Sim, quando passamos de uma certa idade, damos uma diminuída na adrenalina. Os carros passam às vezes rápido demais, os barulhos começam a ficar mais agudos. Começamos a dar mais valor a certos aspectos que quando jovens não percebemos. Generalizo isso sendo do sexo masculino. Não estou aqui falando por todos, mas por mim. Se alguém concordar, OK, se não… OK também.

Mães são uma só. O sentimento que nutrem aos filhos são únicos e não podem ser comparados com nenhum outro. O carinho, a dedicação e a entrega total são exclusivas delas. Não há pai que possa substituir isso, mas isso eu deixo para tentar comentar no dia deles.

E pra minha mãe (e para todas as outras que conheço também) que no momento que escrevo estas linhas deve estar entrando no espaço aéreo brasileiro, vindo de Paris, desejo um super dia, semana, mês, ano… Tudo de bom. Obrigado por tudo! Você é demais! Super-beijo! Agora, enquanto ela não chega, vou pra casa da sogra. Afinal, é dia das mães! Fui, abraço e boa semana!

Subindo à cabeça

Um dos fatores que mais atrapalham o desenvolvimento, seja de um negócio ou de um profissional, é a acomodação. Já escrevi sobre sapos-fervidos em relação às empresas. Hoje vou tentar escrever sobre os profissionais. É muito comum encontrar jovens executivos recém-formados ou com um par de anos de formação que iniciam um trabalho em uma determinada empresa. A atuação muitas vezes é exuberante. Expectativas dos empregadores são superadas e o reconhecimento surge antes do esperado. É aí que mora o perigo. Jovens executivos possuem grande habilidade em atuar com desenvoltura e força física. Possuem a arrogância necessária para não permitir que desagrados atrapalhem o caminho do sucesso. Quando começam algo vão até o fim.

O problema é quando começam a achar que são os únicos do mercado.

Começam a pensar que sabem tudo e que a empresa depende, agora, só deles para seguir o caminho. Não dialogam e preferem aceitar sugestões ou interferências externas. Pensam em abrir seu próprio negócio acreditando que a fórmula é fácil. Não vêem o passado, apenas o presente. É muito comum as pessoas pensarem que tudo é fácil e um caminho de rosas o tempo todo. Dou o exemplo de um cantor/cantora ou banda de música. Quando atingem o sucesso, todos pensam que foi da noite para o dia. Vide o exemplo dos Mamonas Assassinas, de Zezé de Camargo e Luciano. Quantos anos de estrada pelejaram para chegar às paradas de sucesso? É óbvio que não podemos generalizar, mas 99% dos cases da ascensão sou-the-best-fuck-the-rest não dão certo.

Jovens profissionais e empresários de meia-idade podem ser comparados aos adolescentes e seus pais. Os conselhos e advertências só servem para esnobar, encher o saco e etcetera. O timing quando amadurecemos é outro e a experiência continua sendo relevante. Continuo achando que deveríamos nascer velhos e morrermos nenês. Quando tivéssemos 30 e poucos anos com certeza tudo que fosse feito seria certo. Diálogo, comunicação, humildade e paciência. Isso sim deveria ser ensinado nas universidades! Vou nessa que hoje tem festa de casamento! Boa semana!

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